a linha tênue entre solitude e solidão pode ser muito cruel, ora você se isola por necessidade ou prazer, em outra, você se vê sem ninguém ao seu lado.
Por que é tão difícil olhar para minhas dores com o mesmo cuidado que olho para as dores alheias?
Por que é tão difícil me perdoar e ser compreensiva comigo da mesma maneira que faço com todos a minha volta?
-gabbs
Você não me deu ouvidos, chorei, supliquei por atenção e tudo o que tive foi um olhar de pena que não parecia ser real. você achou que o desprezo, o destrato e a ausência fossem me fazer ir embora mas a verdade é que assim doeu e dói ainda mais.
Não posso mais engolir esse turbilhão de palavras dentro de mim, quando o choro tranca na garganta e o peito é pressionado com o peso da tua indiferença.
Nunca soube falar de sentimentos, não pra você. Tenho ocupado meu tempo com livros enquanto tu se ausenta, nesse meio tempo eu achei algo sobre mim, você e o que era pra ser um _nós_.
escrevendo na minha própria pele porque você não vai ler. seus olhos não alcançam o que é denso e clama imersão.
_escrevendo, lento: gostei de você._
do cheiro, do toque, da maneira como você me deixou de quatro em todos os sentidos.
mas você não vai ler. então isso te torna comum e banal. mais uma.
você me disse que havia sido bom o sexo.
eu não respondi nada pra que não percebesse que pra mim se tratava de algo próximo à redenção.
escrevendo na minha própria pele pra não chegar até você e querer descobrir seu gosto, seu real gosto. quero ficar mentindo, aqui mesmo, na superfície.
você não pode me tocar de maneira mais profunda e, se o fizer, que não saiba.
não por mim.
você nunca descobrirá a endorfina que sambou no meu peito assim que você bateu a porta do apartamento. nem que chorei de raiva, tristeza, agonia, solitude e *amor*.
amor àquilo que construirá e foi despejado no instante em que você balbuciou _eu não quero isso agora_ e eu emergi no próprio pensamento uma centena de traumas até então escondidos e colocados pra baixo do tapete.
você não saberá, não pela minha boca, que gostei mais de você do que de qualquer outra. que em mim você ardia mais do que ardiam os piores dias aos quais sobrevivi. que você encaixou seu corpo no meu, mas o que eu esperava mesmo era que toda a fala, o verbo e a língua estivessem na mesma frequência cardíaca e humana.
estou escrevendo na própria pele pra não enlouquecer e não ir até a sua casa e gritar que você mexeu comigo como nenhuma outra pessoa seria capaz. que meu peito foi esmurrado pela sua gentileza de me tornar sua como um
bicho domesticado que não tem mais certeza de que viverá o mesmo dali pra frente.
eu sei que não serei a mesma depois de você espirrar em mim seu nome, o sorriso, os pelos, as pálpebras, as opiniões sobre música, os desejos de sair do país, os vídeos e planos audiovisuais.
a gente nunca é o mesmo depois que alguém nos apresenta uma visão de mundo que desperta a vontade de querer ser maior e não te perdoo por implantar isso, que é tão grande e vasto, em mim.
escrevo na minha própria peloe
pra não te mandar ir a merda.
pra outra cidade, longe.
pra onde meus olhos não queiram esquadrinhar seus passos e minha visão não alcance seus
_pés, pulmões, precipícios._
pra não te falar que sonhei que você me beijava a boca e me oferecia aconchego, ternura, amor.
amor que nunca tive, de ninguém.
não escrevo pra te cobrar o que não existe pra ser cobrado: pois você não me deseja igual ou como te desejo. você vai passar por mim transeunte e eu queria que você fosse como um cheiro que impregna no canto do cômodo e fica lá aguardando alguém inesperado pra fazer morada.
porque me dói não saber como desvencilhar minha vontade de você
e
da relação morna que, agora em diante, teremos.
como olhar na sua cara depois de ter te visto nu?
e fingir que não somos nada mais que boas amigas (talvez nem isso) que se sentam próximos, que vão aos mesmos protestos unidos e politizados, que vão às festas em comum e partem rumo a novos caminhos?
como encaro a verdade de que a partir de agora somos estranhas, de novo, e que após a estranheza do descontato, precisamos seguir, ambas, costuradas no mesmo universo entretanto distantes, longínquos e, pior, _alheios à presença uma da outra?_
como saturar essa parte minha que ainda chama teu nome quando sei que você já até se esqueceu de como sussurrar meu nome?
escrevo na própria pele senão corro até você e peço pra que fiquei ainda que eu saiba da sua vontade de partir.
-
essa semana outra crise de ansiedade deitou nos meus ombros, choro copiosamente por pessoas que nem existem, porque eu as inventei no meu imaginário social.
ajudar [v. t.]
é essa ação que permite que alguém lhe dê um gesto de amor ou ofereça amor. é um presente preciso. pode ser sinalizado com um grito de socorro ou calado como um olhar carecendo de ombro amigo, um carinho ou um colo quentinho. não importa a natureza dessa gentileza, sua intenção é mostrar ao outro que por mais que o mundo force a imagem de que ele esteja sozinho, ele não está.
você não está sozinho.
Gabriella em Julietário.
solitarieis-deactivated20201031:
constantemente sinto que não mereço ser amada e nem ser feliz.
[e eu odeio isso]
Por favor, me diga que eu não sou tão esquecível quanto o teu silêncio está me fazendo sentir.
Kairo.
tudo bem, eu assumo: quero flores, bilhetinhos apaixonados e quem sabe até uma serenata. quero um amor clichê de novela, um romance intenso e avassalador, capaz de tirar os meus pés do chão e me dar asas para chegar nas alturas. que esse mesmo amor, seja meu por completo e que, pelo menos uma vez na vida, tenha um desfeche feliz. já não tenho mais forças pra suportar outro fim e muito menos curar outro coração partido.
gabriela.








